sábado, 21 de novembro de 2015

Ásia 2015 - Kuala Lumpur (Malásia) - Malaca


Neste último dia por terras malaias decidimos percorrer os quase cento e cinquenta quilómetros que separam a cidade de Kuala Lumpur da cidade de Melaka, ou Malaca, como nós portugueses a conhecemos. Para isso utilizámos o serviço de um táxi. A viagem levou cerca de duas horas e meia! 
Malaca está situada no litoral sul da Península Malaia, frente à ilha de Sumatra, estando estrategicamente localizada entre duas capitais, Kuala Lumpur e Singapura ( a 245 km).
Em 2008 Malaca foi declarada Património Mundial pela UNESCO. 

A importância de Malaca como porto internacional remonta ao inicio do século XV, quando Parameswara (Sultão Iskandar Xá) forçou os navios de passagem a ali aportarem, estabelecendo boas condições para depósito e comércio. A sua localização estratégica e prosperidade atraiu alguns inimigos que foram repelidos em diversas situações.
Em Abril de 1511, o português Afonso de Albuquerque saiu de Goa em direcção a Malaca com um frota de 17 ou 18 navios e 1200 homens. A 15 de Agosto do mesmo ano Malaca caía sobre domínio português, tornando-se uma base estratégica para a expansão portuguesa nas Índias Orientais. Afonso de Albuquerque procurou construir fortificações permanentes antecipando os contra-ataques do derrotado Sultão Mahmud que se refugiara no interior. Foi erguido um forte (uma das portas, chamada "A Famosa" ainda existe). Em 1521 foi construída a Igreja de Nossa Senhora do Monte.
Foi ficando claro que o controle português de Malaca não significava o controle do comércio asiático que por ali passava. Em vez disso os portugueses levaram à desorganização da rede mercantil da região.
Em 1641, forças da Companhia Holandesa das Índias Orientais, com o apoio do Sultão de Johore, capturaram Malaca, derrotando os portugueses. 
Os holandeses governaram Malaca de 1641 a 1795 mas sem interesse em desenvolvê-la como centro comercial.
Malaca foi cedida aos britânicos em 1824, em troca de Bencoolen, na ilha de Sumatra. Entre 1826 e 1946 foi governada pela Companhia Britânica das Índias Orientais, passando de seguida a colónia da Coroa. Com a dissolução desta colónia Malaca tornou-se parte da União Malaia (Actual Malásia).

O facto de ter sido ocupada por Portugueses, Holandeses e Ingleses deixou à cidade um legado de edifícios, igrejas, fortes, monumentos e ruínas que ainda hoje resistem. A mistura de estilos, a diversidade étnica, a arte urbana e os grande murais pintados, a beira-rio e muito mais, atraem a esta cidade um grande número de visitantes. Nós quisemos fazer parte desse número!

Os trishaws e as suas chamativas e exageradas decorações captam a nossa atenção mal chegamos.

Munidos de um mapa (obtido no Posto de Turismo que fica nesta zona) iniciámos a visita ao centro da cidade, começando logo pelas ruínas do Porto de Malaca, onde se destaca o alinhamento da antiga muralha portuguesa.









Até levámos uma bandeira para as fotos...
A praça central destaca-se pelas suas cores! É conhecida por "Dutch Square" ou "Red Square" e serve como ponto de partida para a visita às várias zonas da cidade. No centro destaca-se a Igreja cristã, construída pelos holandeses em 1753 e a torre  do relógio.


O canal que circunda a cidade oferece-nos vistas como estas. Pode caminhar-se ao longo das suas margens, admirando o casario ou ficar simplesmente a ver o tempo passar, sentados numa das esplanadas. 
 Mesmo ali ao lado está o Hard Rock Café local. Lá tivemos que ir comprar uma lembrança. Já é tradição fazê-lo!


Voltámos à praça central para a ver mais de perto e também para fotografar os coloridos e originais trishaws! Haja imaginação e alguma pirosice! Alguns deles têm até colunas de onde sai música em alto som! Encontram-se alinhados aguardando o próximo cliente. Não foram muito insistentes tentando convencer-nos!  No centro da praça está a fonte "Rainha Vitória" construída pelos ingleses. 








 Na decoração dos trishaws é usado de tudo um pouco mas destacam-se as flores de papel e os peluches, desde a Hello Kity à velhota Pantera Cor-de-Rosa, passando pelos super-heróis e por bandas de música que desconheço o nome! 

















Deixámos a praça central para nos embrenharmos nas ruas da zona histórica.
A principal é a Jonker Street, no centro de Chinatown, onde se encontram os bares, cafés, restaurantes, bancas de rua, galerias, museus, lojas de antiguidades, lojas mais modernas e muito mais.

Alguns dos edifícios que ladeiam a rua remontam ao século XVII.


Numa das ruelas encontra-se a Mesquita Kampung Kling, construída em 1872.


Entrada para um Templo chinês

Nesta zona histórica encontra-se alguma arte urbana ou Street Art. A seguinte chamou-me a atenção pela utilização de uma palavra homófona! Para quem não sabe, são palavras que se pronunciam da mesma maneira mas cuja grafia e significado são diferentes (piss /peace = mijo/paz)!





E regressámos novamente às margens do canal, onde existe a possibilidade de se fazer um passeio de barco, apreciando a arquitectura de uma outra perspectiva.






Estávamos nós a apreciar a paisagem quando nos apercebemos de algo que nadava na nossa direcção! E assim ficámos a conhecer um dos habitantes do canal de Malaca!  






Regressámos, mais uma vez, à praça central e seguimos depois em direcção à Porta de Santiago! Não chegámos a subir à colina onde se localiza a Igreja de S. Paulo. Uma pequena capela terá sido mandada construir pelo capitão português Duarte Coelho, em 1521, como forma de agradecimento. Foi-lhe dado o nome de  Igreja da N. Sra. da Anunciada. No local existe também uma estátua de S. Francisco Xavier que ali terá estado sepultado durante nove meses. O nome foi alterado depois pelos holandeses.


Museu Islâmico
Torre Menara Taming Sari - 80 metros
de altura

Antes de chegarmos à Porta de Santiago atravessámos um pequeno museu ao ar livre, onde está exposto um avião, um comboio, um tanque dos bombeiros, etc.




A Porta de Santiago é o que restou do forte construído após a chegada a Malaca da frota portuguesa. Esta seria uma das quatro portas principais do forte português, mandado construir por Afonso de Albuquerque em 1512, um ano após a sua chegada, e conhecido como " A Famosa". A intenção ao construí-lo era proteger Malaca dos ataques do Sultão Mahmud. O forte foi depois utilizado pelos holandeses que o renovaram. Quando a cidade passou para as mãos dos ingleses estes decidiram destruir o forte e três das quatro portas foram demolidas. Em 2007 o governo malaio resolveu iniciar obras de reconstrução, recuperando algumas das partes destruídas.














E já de regresso ao local onde o táxi nos tinha deixado encontrámos este Museu! Sim, é um museu, o Museu Marítimo, instalado numa réplica de um galeão português, o Flora del Mar, do Século XVI, e que se afundou no estreito de Malaca. Dizem que com um tesouro valioso a bordo. A exposição que se encontra no seu interior relata a história do sultanato de Malaca desde o Século XIV até à ocupação britânica.

Já passava da uma e meia da tarde e ainda não tínhamos almoçado. Demos um toque para o telemóvel do taxista, como estava previamente acordado mas ele tardou bastante em aparecer.
Tinha lido que existia um bairro português em Malaca onde ainda se encontrava quem falasse a língua de Camões. A informação que tinha era de que também existiriam alguns restaurantes portugueses. Pedimos ao taxista que nos levasse lá mas ele não conhecia o bairro e levámos imenso tempo a encontrá-lo. Entretanto começou a chover. 
O Bairro Português ou "Portuguese Settlement" como é conhecido, é onde viveram e ainda vivem descendentes de portugueses. Fica junto ao mar. 
Eram quase duas e meia quando entrámos num dos restaurantes da zona. Supostamente um restaurante português, de comida portuguesa mas com um nome em língua espanhola. 

 Pedimos ameijoas, lulas e camarões! Mas enganem-se se acham que a comida tinha sabor português! Foi um dos piores almoços destas férias. O nosso taxista é que parece que gostou, mesmo depois de dizer que já tinha almoçado...


Depois do almoço regressámos a Kuala Lumpur, numa longa viagem de três horas!
Jantámos no hotel e fomos descansar! No dia seguinte iniciaríamos a viagem de regresso a Portugal mas ainda com uma paragem pelo meio!

Deixo-vos, para terminar, umas estrofes do Canto X dos "Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, onde ele se refere a Malaca!


«Nem tu menos fugir poderás deste, 

Posto que rica e posto que assentada 

Lá no grémio da Aurora, onde naceste, 

Opulenta Malaca nomeada. 

As setas venenosas que fizeste, 

Os crises com que já te vejo armada, 

Malaios namorados, Jaus valentes, 

Todos farás ao Luso obedientes.» 



«No reino de Bintão, que tantos danos 

Terá a Malaca muito tempo feitos, 

Num só dia as injúrias de mil anos 

Vingarás, co valor de ilustres peitos. 

Trabalhos e perigos inumanos, 

Abrolhos férreos mil, passos estreitos, 

Tranqueiras, baluartes, lanças, setas: 

Tudo fico que rompas e sometas.»



«Olha Tavai cidade, onde começa

De Sião largo o império tão comprido; 

Tenassari, Quedá, que é só cabeça 

Das que pimenta ali têm produzido. 

Mais avante fareis que se conheça 

Malaca por empório ennobrecido,

Onde toda a província do mar grande 

Suas mercadorias ricas mande.»

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