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domingo, 20 de novembro de 2016

Myanmar & Bangtao Beach - Bagan/ Nyaung Shwe (Inle Lake)


Era altura de deixar Bagan para trás e voltarmos à estrada.
Durante o pequeno-almoço tivemos oportunidade de assistir à subida dos balões de ar quente, que todas as manhãs sobrevoam os templos para assistir ao nascer-do-sol!

O autocarro deixou Bagan antes das oito e meia da manhã e a viagem de cerca de 330 Km até Nyaungshwe, em Inle Lake, deveria durar cerca de oito horas. São quase metade dos quilómetros que fizemos entre Yangon e Bagan mas o mesmo tempo de viagem pois as estradas são mais ruins e sinuosas. O autocarro, embora fosse bom, não era VIP como o anterior!

A viagem acabou por ser mais longa, foram cerca de nove horas (08:20 - 17:15). Problemas com o ar condicionado do autocarro obrigaram a umas paragens extra. A paisagem vai mudando e as planícies vão dando lugar à montanha! O verde esse, mantém-se! 



Por volta da uma da tarde parámos para almoçar. Optámos pelo prato de arroz frito com um ovo estrelado em cima pois sabendo o que estávamos a comer seriam menores os riscos, pensámos nós! 
Subimos e descemos montanhas com estradas estreitas e em mau estado, embora algumas estivessem com obras de melhoramento e a serem alargadas. O trânsito é intenso pois são muitos os veículos pesados que regressam de Inle carregados de produtos para vender. O motorista ia o tempo todo apitando, avisando que ia passar, estava passando ou já tinha passado! Ou então só porque sim! Acabamos, com alguma dificuldade, por nos habituar ao som constante das buzinas. Em vários locais da serra vêm-se zonas para os pesados pararem e refrescarem os motores sobreaquecidos, com água. 

Passámos por pequenas aldeias onde, felizmente, não se vê tanto lixo como vimos nos arredores de Yangon! Noutros locais o lixo é colocado todo junto, numa parte do terreno. 

Durante a viagem tivemos a companhia de uma algarvia que estava a viajar sozinha e  que ficou em Kalaw (antes de Inle) pois ia fazer um trekking até ao lago! A paisagem de montanha foi ficando para trás e apareceram novas planícies, muitas plantações! As zonas planas cobertas de água indicam que a zona de Inle Lake está perto!

Antes de entrar na zona de Inle Lake foi necessário pagar uma taxa de acesso (12 500 Kyats  - cerca de €9,00 por pessoa). 

Ficámos alojados no Hotel Cassiopeia! Inicialmente tinha escolhido um outro hotel, que era mais caro, mas como tive que acrescentar mais uma noite no lago, pelo facto da viagem de autocarro ter que ser feita de dia e não de noite, optei por escolher este, que era mais barato. O hotel não seria tão bom como o anterior mas a localização compensava. O nosso quarto era num dos bungallows laterais.
Foto retirada do site do Hotel



Pouco depois das sete da tarde saímos para jantar. 

Durante esta viagem, e pela primeira vez, optámos por seguir as recomendações do Trip Advisor na escolha de restaurantes, dando preferência aos mais bem classificados dentro dos mais baratos! Em Bagan foram 4 opções distintas e todas elas se revelaram óptimas escolhas! Fizemos o mesmo neste primeiro dia em Nyaungshwe, e fomos ao Sin Yaw Guest House & Cooking Class, cuja especialidade é a comida típica do estado de Shan. A gastronomia deste estado tem características próprias como o facto de a comida ser confeccionada em fogo de lenha! Mais uma vez uma escolha acertada. Pagámos pela refeição para dois 16 200 Kyats (cerca de €11,00).





Regressámos ao hotel e fomos descansar pois o dia tinha sido longo e haveria muito para visitar nos dias seguintes.





sábado, 19 de novembro de 2016

Myanmar & Bangtao Beach - Bagan/Mount Popa






















Neste dia tivemos que acordar um pouco mais cedo pois a saída estava combinada para as oito e meia da manhã. E a essa hora lá estava o Kyaw Kyaw, mas desta vez a viagem seria efectuada de carrinha e não de motorizada.  Para além dele e do motorista tínhamos duas companhias muito especiais, a esposa e a filha do Kyaw Kyaw. Na véspera ele perguntou-nos se elas nos poderiam acompanhar e claro que dissemos que sim!

O destino final desta viagem iria pôr-me à prova e esperava conseguir superar o desafio!

Pelo caminho parámos neste local para podermos ver as diferentes fases da confecção do óleo de amendoim e palma e os doces que com eles se podem fazer. Este local está apoiado pelo programa "ACIAR Project DAR DOA" (Australian Centre for International Agricultural Research), que apoia as metas do governo de Myanmar no desenvolvimento agrícola.



A vaca, ao caminhar em círculos, faz girar um artesanal moinho que espreme o fruto para assim se obter o óleo de palma.






Continuámos viagem e só parámos uma vez para fotografar as montanhas que recortavam o horizonte lá ao fundo!

Por volta das dez e um quarto da manhã tínhamos o Monte Popa na nossa frente, que se situa a cerca de 50 Km de Bagan, no meio da província de Myingyan. Este é agora o nome oficial do famoso Popa Taung Kalat, um pico vulcânico com 736 m de altura que quase nos faz lembrar o Pão de Açúcar, do Rio de Janeiro. Em 442 a.C. um grande movimento sísmico devastou a zona central do país e um pico de lava basáltica ter-se-á formado. As cinzas vulcânicas espalharam-se pelos arredores tornando as terras mais férteis. Quando começaram a surgir as mais diversas flores foi dado ao pico o nome de Popa (que significa flor em birmanês - "Monte Flor"). O Monte Popa passou a ser venerado e considerado a morada religiosa dos 37 Nats (espíritos dos deuses), de que eu tanto já falei. Pode dizer-se que é uma espécie de Monte Olimpo dos birmaneses, o principal local de peregrinação aos Nat.




















No topo está o mosteiro budista Taungkalat ("Colina do pedestal")  mas para lá chegar é necessário subir a escadaria com 777 degraus. Popa é um excelente exemplo da tolerância religiosa que existe em Myanmar. A grande maioria da população é budista (85%) mas os santuários que encontramos aqui são dedicados aos 37 nats (os espíritos protectores que quase sempre possuem forma humana). E cada um destes nat tem a sua especialidade, uns cuidam dos artesãos, outros dos pescadores e até há um que cuida da minoria muçulmana. Me Wunna é um dos nats a quem mais pedem protecção pois terá morrido de desgosto após a morte dos filhos. Há divindades, como algumas de origem indiana, que não fazem parte dos 37 nats mas que tem os seus altares. 



É a subida dos 777 lugares até ao topo que é considerada uma peregrinação para os birmaneses. Para mim será uma superação! Estava muito calor e a subida tem que ser feita sem calçado. Ao longo das escadarias vamos encontrando vendedores, limpadores de escada e claro, os macacos!



























Ao longo da subida a paisagem vai compensando o cansaço e uma paragem para a apreciar é bem-vinda!



























Desafio superado, atingi o topo do Mount Popa depois de subir 777 degraus! Yupi!

No topo existem várias salas/santuários onde se encontram figuras de tamanho e especto humano, representativas dos 37 Nats. Os peregrinos vêm aqui deixar os seus donativos e oferendas, como podem ver.


Já tinha lido um artigo sobre isso mas estando por aqui entende-se o porquê! Por acaso alguém imaginaria que Myanmar 🇲🇲 foi o considerado o país mais generoso do mundo?! E também deve ter dos povos mais simpáticos! Só espero que o aumento do turismo não estrague a sua simpatia e espontaneidade!




Mosteiro de Taungkalat









Placas referentes a donativos













O Kyaw Kyaw, a sua esposa e a filha Tátá
               





















Os santuários localizados no topo do monte não impressionam mas a subida vale pela vista. Depois de termos aqui passado algum tempo a observar e a fotografar, resolvemos descer. O Kyaw Kyaw já tinha descido, com a mulher e a filha, e fomos encontrá-los num dos patamares da escadaria, já perto do final, a saborear uma sopa típica e noodles. Resolvemos juntar-nos a eles e fazer o mesmo. E a sopa era tão boa que eu repeti!




Antes de deixarmos o local ainda fotografei os 37 Nats todos reunidos na mesma sala! Só conto 36 mas o 37º tinha que lá estar...




Antes de fazermos a viagem de regresso ainda passámos por um mercado local onde comprámos alguma fruta!

A sopa estava muito boa mas quando chegámos a Bagan já tínhamos fome pelo que, depois de passarmos pelo hotel, fomos até uma pizzaria!


Terminámos o último dia em Bagan na piscina do hotel, a descansar os pés e as pernas! 

Até um dia, quem sabe! Adorei conhecer-te Bagan!