domingo, 13 de novembro de 2016

Myanmar & Bangtao Beach - Yangon - dia 1



O taxista deixou-nos na entrada sul do Shwedagon Pagoda (Pagode em português). Quatro entradas dão acesso ao santuário: a norte, sul, este e oeste mas a principal é precisamente a sul.

Pode-se subir de elevador mas nós preferimos subir pelas escadas que dão acesso ao terraço principal.
A escadaria é coberta e ladeada por várias lojas que vendem flores para as oferendas e também todo o tipo de bugigangas. No início das escadas existem uns cacifos para deixarmos o calçado já que é obrigatório entrar descalço (meias também não são permitidas). Também convém ter atenção ao vestuário, evitando calções, saias curtas e blusas sem mangas.






No cimo da escadaria estão as bilheteiras. O bilhete de entrada custou 8000Ks (€ 5,68). O horário de abertura é o seguinte: diariamente entre as 04:00 e as 22:00. O terraço principal é o do nível intermédio e onde se localizam todos os pagodes menores (pagode = conjunto de estupas mais os templos que as cercam) que rodeiam a stupa central (ou estupa - originalmente eram construídos sobre os restos mortais de uma pessoa importante. Hoje podem ser para guardar relíquias, comemoração de uma data ou como símbolo de aspectos teológicos budistas. Também pode simbolizar o caminho de Buda para a iluminação. Normalmente têm uma base quadrada, uma parte esférica central e um tipo de sombrinha no topo). Existe um outro terraço, superior, que é mais sagrado e onde só os homens locais podem ir. O terraço inferior circunda o templo por fora e é acessível por saídas laterais das escadarias.



Segundo a lenda, o pagode terá sido erguido neste local há cerca de 2600 anos, o que o tornaria no mais antigo do mundo mas existem muitas dúvidas em relação a isso. 
Devido aos muitos terramotos sofreu várias remodelações ao longo dos tempos. 

Segundo a lenda dois comerciantes estavam no país Mon há 2600 anos, logo após Sidarta Gautama ou simplesmente Buda ter atingido a iluminação, e decidiram visitá-lo. (Sidarta ou Siddhartha, foi um príncipe de uma região no sul do actual Nepal que, tendo renunciado ao trono, se dedicou à busca da erradicação das causas do sofrimento humano e de todos os seres, e desta forma encontrou um caminho até ao "despertar" ou "iluminação". Após o que se tornou mestre ou professor espiritual, fundando o budismo - Wikipédia). Terão oferecido a Sidarta bolos de mel e depois pediram-lhe um presente. Terão recebido oito fios de cabelo de Sidarta/Buda. E são estes fios que estarão guardados no Pagode Shwedagon. Mais pormenores aqui.



A partir do século XV a estupa terá recebido a sua cobertura em ouro, após a rainha Shin Sawbu ter doado o seu peso naquele metal precioso (88 libras) para esse fim. O ouro foi transformado em pequenas folhas que foram aplicadas na estupa. Mais tarde o rei Dhammazedi terá feito também uma doação em ouro, desta vez de quatro vezes o seu peso e o da sua esposa, tendo a tradição continuado. Dois sinos de 30 toneladas foram também doados mas ambos foram roubados, o último durante a I Guerra Anglo-Birmanesa. Ambos acabaram afundados no rio mas o segundo foi recuperado em 1926. 



O Pagode, para além de ser um local religioso e de lazer, também já foi palco da vida politica do país. Foi aqui que decorreu o famoso discurso de Aung San Suu Kyi em 1988 e foi também cenário da revolta dos monges em 2007. Também aqui estão sepultadas pessoas importantes, como a última rainha da Birmânia, o ex-Secretário Geral da ONU e a mãe de Aung San Suu Kyi.

Manda a tradição que se inicie a visita ao recinto no sentido dos ponteiros do relógio e assim fizemos. Para além de observarmos os detalhes de todas as construções que nos rodeavam a nossa atenção esteve também muito focada nas pessoas. 
Um dos templos do complexo

A estupa central








A estupa maciça, coberta de folhas de ouro, com 99 metros de altura, assenta numa base octogonal, tem uma cúpula em forma de sino e um pináculo em forma cónica. À volta da base existem 4 estupas menores nos pontos cardeais e entre elas 64 pagodes de estilo. A parte superior da estupa tem incrustados 5448 diamantes, 2317 rubis, safiras e outras gemas e também sinos de ouro. Lá no topo cintila um diamante de 76 quilates!


Algumas imagens de Nats (espíritos)
Sabiam que a semana em Myanmar tem 8 dias? Como é isso possível? Pois bem, a Quarta-feira é divida em duas: de manhã é o Bohdahu e à tarde é Yahu.
Em redor da base do pagode existem altares, divididos pelos dias da semana. A tradição manda que se lave o "nosso" Buda como forma de reverência. Para saber qual o Buda que se deve lavar basta saber o dia da semana em que se nasceu. No nosso caso nascemos os dois à Segunda-feira. Cada altar tem um Buda cuja posição tem um significado e mensagem diferente. Existem umas canecas para retirar a água e assim banhar o Buda.



















São muitas as imagens de Buda que se encontram espalhadas pelo complexo. 
















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Pouco tempo depois de termos chegado ao recinto iniciou-se um desfile. Não conseguimos saber do que se tratava mas foi uma excelente oportunidade de observar a população. Havia muita gente no recinto mas os turistas ocidentais eram uma minoria.





  



O traje típico de Mynamar é o longyi que é usado tanto por mulheres como por homens. O longyi parece uma saia mas é uma espécie de sarong enrolado à cintura. Os das mulheres são apertados de forma diferente dos dos homens e são muito coloridos e com padrões.

 
 

O longyi masculino é usado pela maioria dos homens. Costumam ser de tom escuro e o nó é dado à frente. Na parte de cima tanto usam camisas como t-shirts.
Acredito que já se questionaram sobre as pinturas faciais exibidas pelas mulheres! Estas pinturas são feitas com thanakha, uma pasta de cor amarelada que é obtida pela mistura de água com um pó obtido pela fricção de um tronco de árvore. É utilizada por mulheres e crianças como cosmético e também como protector solar. Mais tarde voltarei a falar da thanakha, uma tradição birmanesa.

 


Estávamos maravilhados com o local, principalmente com a atmosfera. Homens e mulheres rezam, acendem pauzinhos de incenso aos Budas e Nats (espíritos idolatrados) e fazem-lhes oferendas, dão banho aos "seus" Budas ou sentam-se simplesmente a contemplar, meditar e conviver! Nalgumas zonas do recinto encontrámos famílias inteiras sentadas no chão comendo, conversando ou simplesmente descansando, com as suas melhores roupas vestidas. E depois eram tantos os pormenores decorativos para observar que ficámos por aqui até ao anoitecer. 


 




A sombrinha da grande estupa tem 13 metros de altura e 5 metros de diâmetro. Tem 500 quilos de ouro, 83 850 peças de joalharia (entre diamantes, rubis, safiras e outras gemas). Os sinos de ouro são 4 016. O seu peso total é de 5 000 quilos.

O Pagode Naungdawgyi localiza-se no canto nordeste da plataforma. Tem 46 metros de altura e é uma versão menor do Shwedagon. 
O culto dos Nat é uma prática muita antiga, de cariz popular e anterior ao budismo. De um culto animista, associado à Natureza, evoluiu no sentido da presença de identidades ou espíritos. Acreditam que estes "espíritos" têm domínio sobre pessoas e locais. É uma crença pagã que resiste até hoje e convive com o budismo. Os Grandes Nats são 37 havendo depois muitos outros menores. Estes 37 foram quase todos humanos e terão tido mortes violentas sendo, por isso, espíritos que necessitam ser apaziguados com oferendas feitas pelos fiéis.
As muitas oferendas em frente a um dos muitos altares com imagens de Buda. Eles têm que estar bem "alimentados" e também bem vestidos.

O budismo e o culto dos Nat lado a lado

Parece que o canto da Segunda-Feira é muito concorrido pois não foi fácil conseguir dar banho ao "nosso" Buda sem este estar cercado de gente. Mesmo por detrás da imagem do Buda pode ver-se uma estátua de um dos Nats.



 E de repente olhámos para a grande estupa e andavam monges por lá!

O sol começava a despedir-se de mais um dia e começaram a ser colocados pavios dentro de tacinhas com liquido. Uma senhora passou-me um pau fino com um tipo de algodão na ponta para que eu também ajudasse a acender os pavios.







  E com o cair da noite os monumentos iluminam-se! Vale a pena esperar para assistir. O recinto cada vez estava mais cheio. Como não tinha tripé não consegui fotografias decentes da estupa iluminada.


Eram seis da tarde quando iniciámos a descida da escadaria que nos levaria à saída! Fomos recolher os chinelos e tentar desencardir os pés com umas toalhitas. 
 
Cada entrada é guardada por dois enormes Chinthes (criatura metade leão, metade dragão). À chegada não os vimos pois entrámos lateralmente e à saída estava já muito escuro para fotografá-los. 
Segue-se um pequeno video que junta algumas das filmagens que fiz.

A confusão no exterior era grande e tivemos que nos deslocar um pouco para tentar apanhar um táxi de volta a Chinatown  e ao hotel. Quando chegámos apercebemo-nos que existia um mercado nocturno com muitas bancas de comida e resolvemos dar uma volta antes de encontrar um local para jantar. Não me ia aventurar com comida de rua logo à chegada...
E não me perguntem o que é que aparece em algumas das fotos pois não faço ideia!
Durian - é um fruto tropical, espinhoso, de polpa macia e muito apreciado nalguns países asiáticos. O seu odor é de tal maneira intenso que a sua entrada está proibida em vários estabelecimentos.

Gafanhotos fritos em óleo de palma, um dos petiscos mais apreciados por aqui.



  



  

Encontrar um restaurante em Chinatown deveria ser tarefa fácil mas foi muito complicado! Andámos de um lado para outro pelo meio das bancas e das centenas de pessoas e nada de encontrar um restaurante! Este pessoal adora andar na rua mas jantar no restaurante não é com eles! Acho que andámos a procurar nas ruas erradas. Finalmente lá encontrámos um, o aspecto não era nada de especial e ainda bem que só vi a cozinha depois de ter comido mas a comida estava boa! Pagámos 18 000K pelo jantar (cerca de 13,00€). Mais caro do que noutros países asiáticos. As bebidas, neste caso as cervejas, encareceram a refeição.                                   
De regresso ao hotel voltámos a passar pela zona das bancas e a confusão era enorme, sendo difícil circular entre elas.  





O dia já ia longo, tínhamos deixado Lisboa no dia anterior e o cansaço já era nosso companheiro. Comprámos uma garrafa de água de 1,5l numa loja perto do hotel que custou 300K (0,22€). Voltámos ao hotel onde fui arrumar algumas coisas antes de adormecer profundamente!
Há ainda muito para ver em Yangon, fiquem por aí que eu volto! 


Myanmar & Bangtao Beach - Dubai/Yangon


O voo EK388, com saída do Dubai prevista para as 03:20, levantou voo com cerca de vinte minutos de atraso. O voo teve uma duração de cinco horas e pouco, tendo aterrado por volta das 11:20 locais.

Enquanto voamos para Yangon ou Rangoon (Rangum em português), principal cidade de Myanmar, aproveito para vos falar um pouco deste país.

A capital da República da União de Myanmar (antiga Birmânia) é Naypyidaw (foi transferida de Rangoon/Yangon em 2006). O país faz fronteira com o Bangladesh, a Índia, a República Popular da China (Tibete incluído), o Laos e a Tailândia e é banhado pelo Golfo de Bengala e pelo mar de Andaman. A paisagem é composta por uma zona montanhosa a Norte e Oeste e por um planalto a Leste. A Sul encontram-se os grandes vales, rios e a zona costeira. O ponto mais alto tem 5 880 metros. 
Myanmar é o 39º maior país do mundo e um dos mais pobres do sudeste asiático. Possui um longo litoral (1 930 Km) que vai desde a fronteira com o Bangladesh, a noroeste, até à zona mais a sul, onde faz fronteira com a Tailândia. O rio Ayeyarwaddy (Irauádi em português) tem quase 2 710 km de extensão e uma bacia hidrográfica de aproximadamente 411 000km² e é no seu vale que vive grande parte da população.

A língua oficial é o birmanês e a moeda o Kyat. Estima-se que a população seja de mais de 54 milhões de habitantes (2016), dividida por diferentes grupos étnicos (135). O país tem uma área total de aproximadamente 678 000 km². A diferença horária para Portugal é de seis horas e meia. 

Culturalmente o país é bastante ligado às crenças religiosas, nomeadamente budismo e birmane, estando esta conectada com a influência dos países vizinhos (principalmente Tailândia e Índia). Tal como nessas culturas, em Myanmar também se adoram os espíritos. Outros grupos étnicos estão em minoria no país. 

O clima de Myanmar é dividido em três estações. A estação das monções vai de final de Maio até ao início de Junho e provoca chuvas fortes. A estação seca vai de Novembro até Maio. As temperaturas mais baixas mantém-se até Fevereiro e depois o calor volta e mantém-se até Maio, quando se atingem as temperaturas mais altas. A melhor época para visitar o país é entre Novembro e Fevereiro, depois das chuvas mas antes do aumento das temperaturas.

Para entrar no país é necessário visto. Optei pelo e-visa que pode ser feito através da internet. O mesmo é válido por 90 dias mas só permite estadias de até 28 dias e uma única entrada. O custo é de $50.

A história do país é longa pelo que não vos vou maçar com demasiadas informações. Se tiverem interesse podem ler este artigo: História de Myanmar. Em relação à história mais recente convém referir que a Birmânia foi integrada no território da Coroa Inglesa em 1885. Em 1940 o General Aung San formou um exército para lutar contra a metrópole, financiado e com base no Japão. Durante a Segunda Guerra Mundial o país acabou por ser invadido pelos japoneses.  Os birmaneses ficaram divididos tendo uma parte lutado do lado do Japão entre 1942 e 1944  e a outra parte ficado sempre do lado dos britânicos.
O país tornou-se independente em 1948. Em 1962 o general Ne Win liderou um golpe militar e o seu governo tornou-se na mais longa ditadura militar do mundo levando ao isolamento do país. Foram muitas as revoltas organizadas contra o regime, destacando-se a de 1988 que levou à instalação de um novo governo, o SLORC (State Law and Order Restoration Council).

O SLORC mudou o nome do país de Birmânia para União do Myanmar em 1989 e autorizou as eleições que se realizaram em 1990, cujo resultado não foi acatado. Foi nessa altura que foi decretada a prisão domiciliária de Aung San Suu Kyi, líder do partido da oposição (NLD - National League for Democracy) e filha do general Aung San (o mais famoso revolucionário birmanês e o arquitecto da independência da Birmânia). Foi a história desta mulher que fez com que o mundo prestasse atenção ao que se passava no país. Em 1991 foi-lhe atribuído o prémio Nobel da Paz. A prisão domiciliária prolongou-se de 1989 a 1995, de 2000 a 2002 e novamente de 2003 a 2010. 
Em 2008 o governou voltou a mudar o nome do país para República da União de Myanmar e agendou novas eleições para 2010 mas o processo foi denunciado como fraudulento. Mesmo assim a junta militar foi dissolvida e o  Partido da União e do Desenvolvimento assumiu um governo que continuou a levantar muitas dúvidas em relação à existência de uma democracia no país.
A 8 de Novembro de 2015 realizaram-se em Myanmar eleições gerais, a primeira eleição livre realizada no país desde 1990. Os resultados oficiais atribuíram maioria absoluta ao partido "Liga Nacional pela Democracia". Apesar de ser a líder do partido, Aung San Suu Kyi é constitucionalmente impedida de exercer a presidência (por ter sido casada com um estrangeiro) mas mantém o poder de facto no governo liderado pelo LND.

Este é um país com um passado negro, com uma população que muito sofreu às mãos de uma junta militar que violou os mais básicos direitos humanos e com situações graves ainda por resolver (caso da minoria Rohingya, muçulmanos do estado de Rakhine não reconhecidos pelo governo como "raça nacional")! 

Antes da viagem vi o filme "The Lady", sobre a vida de Aung San Suu Syi. Aconselho que vejam este filme se melhor querem perceber a história recente de Myanmar. Também li alguns livros que aconselho: "Regresso a Mandalay", "O Milagre de viver sorrindo", "O afinador de pianos" e "Do outro lado do mundo - cartas da Birmânia".

Ao longo do relato desta viagem irão entender que o título de um destes livros define muito bem a população deste país...


Por volta das 10:40, entre as nuvens,  começaram a surgir as primeiras imagens de Myanmar e o que saltou à vista foram os diversos cursos de água, braços do principal rio do país, o Ayeyarwaddy . Com a aproximação ao solo começam a destacar-se as planícies verdes, as vilas e aldeias e os plásticos azuis que cobrem muitas das casas. 

  









Video da aproximação e aterragem em Yangon!

Quando entrámos no aeroporto fomos surpreendidos por um edifício novo, moderno e muito limpo e cuidado! Passado o controle de passaportes e vistos, levantámos a bagagem, trocámos dinheiro ($100 = 129 000 Kyats) e comprámos um cartão SIM para o telemóvel com 2GB de Internet por 16 000K (11,36€). Para melhor terem uma noção dos preços o câmbio era o seguinte: 1 000K = 0,71€ ou 10€ = 14 048K. 
Foto retirada da Internet
Detalhe do edifício do aeroporto
Cerca de 1 hora depois de termos aterrado já estávamos no exterior para apanhar um táxi para Chinatown, no centro da cidade (10 000K = €7,10). O aeroporto situa-se a cerca de 10km da cidade.

A primeira palavra que se ouve quando aqui se chega é "Mingalaba " - Sejam bem-vindos!
Obrigada! - "Chei-zu- tin-bar-te"!   "De onde são?" "Poh-tu-gui", porque se respondermos Portugal eles não vão compreender.

Estava calor mas a humidade era menor do que aquela que esperava encontrar, sentia-se um calor mais seco!

Durante a viagem observámos com atenção os locais e as pessoas que iam desfilando à frente dos nossos olhos! O que nos chamou imediatamente a atenção foi o som das buzinas dos carros, um som incessante, e também a vestimenta usada pela maioria dos homens, mas sobre isso falarei mais à frente. 

Yangon ou Rangoon é uma das antigas capitais do país (deixou de o ser em 2006), a maior cidade do país e uma das grandes metrópoles do sudeste asiático com mais de 5 milhões de habitantes. Yangon significa "cidade livre de inimigos". É a cidade mais utilizada para entrar em Mynamar e situa-se a no coração da parte inferior de Myanmar.

A cidade (Dagon) foi fundada no século VI pelo povo Mon e era na altura uma pequena vila de pescadores que fazia parte de um roteiro peregrino ao Pagode Shwedagon. No ínicio do século XVII era ainda uma aldeia perto do Pagode, estando a principal cidade em frente, do outro lado do rio, Syriam, que foi tomada aos portugueses em 1613. A partir daí Rangoon cresce a acaba por se tornar a capital do país em 1753. Foi ocupada pelos britânicos entre 1824 e 1948, ocupação essa que teve uma grande influência na arquitectura da cidade. Era conhecida como "A cidade jardim do Oriente". 
A cidade foi destruída por um incêndio em 1841 e por um terramoto e tsunami em 1930. Reconstruída, foi novamente abalada durante a segunda guerra da independência anglo-birmanesa. 
O fim da ocupação britânica foi um momento bastante importante e um ponto de viragem na história, não só do país mas também da cidade. O nome passou de Rangoon para Yangon em 1989 mas o antigo nome continua a ser utilizado por muitos.
Durante os anos 80 a ditadura militar iniciou um plano de realojamento que transferiu para cidades satélites muita da população que habitava no centro. Em 2005 a capital do país passou a ser Naypyidaw embora Yangon tenha continuado a ser a cidade mais importante.

Chegámos a Chinatown, que se estende entre a Shwe Daung Street e Shew Dagon Pagoda Road assim como da 17ª até à 24ª rua do distrito de Latha.
Estamos em Myanmar mas aqui são os grandes letreiros com caracteres chineses que dominam.

Reservámos o hotel Best Western Chinatown, escolha feita seguindo a dica de dois viajantes cujos blogues sigo: Joland e Tempo de Viajar
E foi uma excelente escolha! Hotel bem localizado, quartos confortáveis, limpos e com uma decoração que me agradou. Funcionários atentos e muitos simpáticos! 





Depois de termos descansado um pouco voltámos a sair para ir conhecer o principal símbolo da cidade e o maior ícone religioso do país, o Shwedagon Pagoda, conhecido localmente como Shwedagon Zedi Daw The e localizado a cerca de 2,4 km do hotel.
Na rua em frente ao hotel deparámo-nos com um desfile de carros mas não chegámos a saber o que se festejava ou qual o motivo do mesmo. Vejam o video aqui:
                              



Apanhámos um táxi e alguns minutos mais tarde já visualizávamos a enorme stupa dourada do Shwedagon Pagoda. O táxi custou-nos 2000K (€1,42).


Como há muito para mostrar e explicar sobre este símbolo da cidade deixarei isso para um outro post.



Informação extra:

Em Myanmar utilizam-se caracteres próprios para transcrever a língua birmanesa falada. Este povo adquiriu esta escrita de um povo denominado Mon depois de terem invadido o seu território em 1057. Essa civilização Mon desapareceu definitivamente em 1540.


A língua mon e a língua birmanesa atribuem aos caracteres sons fonéticos diferentes, sendo, porém, as duas escritas semelhantes, podendo qualquer das duas escritas servir para escrever ambas as línguas.



Segundo a tradição, o alfabeto birmanês é formado por caracteres arredondados (ca-lohn em birmanês) pelo fato da escrita em tempos antigos ser feita sobre folhas de palmeira,  pois linhas rectas rasgariam as folhas.


sábado, 12 de novembro de 2016

Myanmar & Bangtao Beach - Faro/Lisboa/Dubai


"Aquele que está acostumado a viajar, sabe que sempre é necessário partir algum dia..." -(Paulo Coelho)









Mais uma viagem, mais uma IDA e novamente para o Sudeste Asiático. Desta vez o destino é menos conhecido! Quem me conhece sabe que todos os anos, em Novembro, é altura de ir de férias. Porquê? Porque tanto eu como o meu marido trabalhamos na área do turismo, no Algarve, e entre Abril e Outubro é a época de mais trabalho! Com alguma antecedência começam a perguntar-me " Para onde vais este ano"? Quando respondia Myanmar a maioria respondia "onde"? Quando referia que Myanmar é o actual nome da Birmânia alguns lá diziam que já tinham ouvido falar, outros continuavam sem saber para onde é que eu iria. A grande falta de conhecimento sobre Myanmar não é só pelo facto de ser um país localizado no outro lado do mundo mas sim muito por culpa de um longo regime politico opressivo que o isolou do mundo desde a década de 60. Muitos terão memória de ouvir falar de Aung San Su Kyi, a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Paz em 1991, quando se encontrava em prisão domiciliária por defender ideais democráticos para a Birmânia, governado durante muitos anos por uma junta militar! Mas de história falaremos mais à frente!
Nos últimos anos o país foi-se lentamente abrindo ao turismo e neste momento o número de visitantes é cada vez maior! Decidi visitá-lo antes que se torne um destino de massas como a vizinha Tailândia! 
Depois de duas semanas a percorrer algumas das zonas deste país terminaremos a viagem com uns dias em Bangtao Beach, uma praia localizada no lado oeste da ilha de Phuket, na Tailândia!

Quando me decidi pelo destino não tinha ainda muita informação e reservei os voos tendo em conta que o ideal era voar com a Emirates para Yangon e sair depois por Mandalay, com a Air Asia, com destino à Tailândia. Uma das decisões que tomei desde do início foi que não iria fazer nenhuma das viagens internas de avião pois as companhias aéreas locais não me inspiravam confiança e não existiam companhias aéreas estrangeiras a fazer esses voos.

Depois de marcar os voos com a Emirates comecei a pesquisar e a ler relatos de viagens a este destino. Tenho agora a noção que ficou muito por ver e que poderia ter feito algumas alterações ao meu itinerário. Mas também é bom saber que há motivos extras para regressar. Segue-se o itinerário desta viagem!


12.11 - Faro/Lisboa/Dubai - Voo TAP/Emirates
13.11 - Dubai/Yangon - Voo Emirates
13.11 - 15/11 - Yangon
16/11 - 20/11 - Bagan
20.11 - 24.11 - Nyaung Shwe (Inle Lake)
25.11 - 28.11 - Mandalay
28.11 - Mandalay/Bangkok/Phuket - Voo Air Asia
28.11 - 03.12 - Bangtao Beach (Phuket)
04.12 - Phuket/Dubai/Lisboa/Faro - Voo Emirates/TAP

Desta vez a viagem foi a 2! No dia 12 de Novembro lá seguimos até ao aeroporto de Faro para apanhar o voo TAP/Emirates com destino a Lisboa. Fizemos o check-in da bagagem para o destino final, Yangon. 

 Sobrevoando a costa algarvia!

O rio Tejo e a cidade de Lisboa à vista!


À chegada a Lisboa tivemos logo que nos dirigir para a zona de embarque do voo da Emirates que, no entanto saiu com cerca de 30 minutos de atraso. Encontrámo-nos com o grupo de viajantes que seguia com o Joaõ Cajuda para a Tailândia. Nesse grupo estava a brasileira Joana, uma das nossas parceiras na viagem a Marrocos e também a Rita leitão, do Dar Rita, localizado em Ouarzazate (Marrocos - 6º dia Circuito: Vale Du Dadès - Skoura - Ouarzazate - Marraquexe).
O voo da Emirates levantou com cerca de 30 minutos de atraso. Chegada prevista ao Dubai para a 01:11.





E cerca de 1 hora depois da descolagem foi-nos servido o almoço que estava bastante bom!




Aproveitámos o resto da viagem para dormir um pouco e também para conversar com a Joana e a Rita sobre a Tailândia.
À chegada ao Dubai nós seguimos para a zona de embarque do voo para Myanmar e o grupo do João Cajuda para o da Tailândia. Mas antes imortalizámos o momento! Qual a probabilidade de encontrar uma brasileira e uma portuguesa que conhecemos em Marrocos, uma ano e meio depois, num voo de Lisboa para o Dubai?!